Instituto Supereco destaca protagonismo das comunidades e justiça climática no XI Encontro Brasileiro de Educomunicação
17/10/2026Presidente Andrée de Ridder Vieira apresentou a experiência do Projeto Tecendo as Águas e defendeu a construção de redes colaborativas como caminho para a transformação socioambiental dos territórios.

A educomunicação como instrumento de transformação social, valorização dos saberes locais e fortalecimento da justiça ambiental e climática esteve no centro da participação da presidente do Instituto Supereco, Andrée de Ridder Vieira, no XI Encontro Brasileiro de Educomunicação, realizado em 15 de outubro, no campus da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), com transmissão ao vivo.
Promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), o encontro teve como tema “As águas que nos conectam: Educomunicação, Territórios e Práticas Socioambientais”.
Participando remotamente do Painel 4, “A educomunicação na construção de redes de saberes pela justiça ambiental e climática”, Andrée compartilhou experiências do Instituto Supereco, que há 32 anos desenvolve iniciativas voltadas à educação socioambiental, à educomunicação, à sustentabilidade e à mobilização social com protagonismo de comunidades.
Vice-coordenadora do Núcleo Regional Litoral Paulista da ABPEducom, Andrée iniciou sua apresentação com uma homenagem aos educadores e educadoras brasileiros, especialmente àqueles que atuam em contextos de invisibilidade social, em referência ao Dia do Professor.
“Se não for uma educação para a vida, não é educação que traz significado. Se não for uma educação para transformar, é apenas conhecimento”, destacou.
Tecendo as Águas: 12 anos conectando territórios, pessoas e saberes
Um dos destaques da apresentação foi o Projeto Tecendo as Águas: serra, terra e mar, realizado pelo Instituto Supereco em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental e uma rede de instituições de vários setores.
Com 12 anos de trajetória no litoral paulista, a iniciativa integra educação socioambiental, educomunicação, conservação da biodiversidade, empreendedorismo, economia circular e participação comunitária, conectando diferentes realidades da Mata Atlântica, das bacias hidrográficas e dos ambientes costeiros e marinhos.
Entre os resultados compartilhados estão mais de 11 mil participantes diretos em atividades formativas, cerca de 50,5 mil pessoas alcançadas por ações, campanhas e produtos educomunicativos, além da implantação de sete núcleos “O Mar Não Está pra Lixo!” e da articulação da Rede São Francisco de Economia Criativa e Circular, que reúne mais de 30 instituições.
Andrée também destacou a produção de materiais educomunicativos desenvolvidos com a participação das comunidades, incluindo vídeos, programas de rádio, jogos educativos, painéis e recursos pedagógicos que valorizam os conhecimentos, as identidades culturais e as características dos territórios.
“Para nós, a educomunicação liberta as pessoas para elas poderem expressar o que têm de melhor e o que desejam para o lugar em que vivem”, afirmou.
Justiça ambiental começa com a participação de quem vive no território
Ao abordar os desafios da justiça climática, Andrée chamou a atenção para os contrastes socioambientais do litoral paulista, onde áreas de extraordinária biodiversidade convivem com comunidades em situação de alta vulnerabilidade social e econômica.
A presidente ressaltou que soluções sustentáveis precisam considerar as características, potencialidades e necessidades de cada território, reconhecendo seus moradores como protagonistas das transformações.
“Estamos falando de justiça ambiental, social e climática em qual cenário? Em qual vocação local e para quem? Se a gente não olhar essas identidades, essas fragilidades, essas potencialidades nos cenários locais, a gente corre o risco de deixar alguém de fora ou implantar algo que não seja adequado e se sustente”, alertou.
Nesse contexto, apresentou a metodologia de inteligência sistêmica, circular e colaborativa do Instituto Supereco, que parte de mapeamentos situacionais participativos para conectar conhecimentos, mobilizar atores sociais e construir soluções coletivas.
A experiência envolve pescadores artesanais, catadores de materiais recicláveis, educadores, mulheres empreendedoras, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil e representantes de diferentes setores e de colegiados.
Para Andrée, a construção de redes de saberes exige representatividade e participação efetiva, permitindo que as próprias comunidades contribuam para definir prioridades, produzir conhecimento e desenvolver soluções para os desafios de seus territórios.
Educomunicação na prevenção de riscos e no enfrentamento das mudanças climáticas
O painel também contou com a participação da Profa. Dra. Rachel Trajber, do Cemaden Educação, e de Silvana Gontijo, com mediação da Profa. Dra. Cristiane Parente de Sá Barreto, ampliando o debate sobre o papel da educomunicação na construção de comunidades mais preparadas para enfrentar os desafios socioambientais e climáticos.
Em sua apresentação, Rachel Trajber abordou a importância da educação e da comunicação na prevenção e redução de riscos de desastres, destacando quatro dimensões fundamentais dos sistemas de monitoramento e alerta: conhecimento dos riscos, monitoramento e alertas, difusão e comunicação das informações e capacidade de resposta.
A abordagem evidenciou o papel transversal da educomunicação nesse processo, desde a leitura crítica do território e a participação das comunidades no monitoramento de riscos até a circulação de informações acessíveis e a construção coletiva de respostas diante de situações de emergência.
Já Silvana apresentou toda a potencialidade e capilaridade do Projeto Esse Rio é Meu, com protagonismo de escolas, crianças, jovens e tendo, assim, como o Tecendo as Águas, a bacia hidrográfica como um endereço ecológico comum para dar significado à proteção das águas.
As reflexões dialogaram com a experiência apresentada pelo Instituto Supereco, especialmente no reconhecimento dos saberes locais, na participação social e na construção de redes colaborativas como estratégias para fortalecer a resiliência dos territórios.
Redes de saberes para um futuro mais sustentável
Ao encerrar sua apresentação, Andrée reforçou a importância de monitorar, avaliar e compartilhar os impactos positivos das iniciativas socioambientais, destacando o Festival Tecendo as Águas: serra, terra e mar como exemplo de mobilização comunitária, valorização cultural e construção coletiva da sustentabilidade.
A iniciativa, que chegou à sua sétima edição, reúne educação, cultura, empreendedorismo, economia circular e participação social, dando visibilidade aos resultados de processos desenvolvidos continuamente com as comunidades do litoral paulista.
A presidente também convidou o público a conhecer os conteúdos produzidos pelas comunidades e disponibilizados nos canais de comunicação do Instituto Supereco, como a TV Supereco, a Rádio Web Supereco e a plataforma Supereco Academy.
A participação do Instituto Supereco no XI Encontro Brasileiro de Educomunicação reafirma o papel da educação e da comunicação na construção de territórios mais resilientes, inclusivos e sustentáveis, em que o conhecimento é compartilhado, as comunidades têm voz e a transformação acontece de forma coletiva.