Supereco articula rede de parceiros e fortalece protagonismo comunitário no Festival Eco-Comunidade
23/12/2025Encontro promoveu educação, cultura e sustentabilidade junto aos moradores do Sítio Conceiçãozinha, no Guarujá

A união faz a força! A verdade dessa frase estava presente em todo canto do Festival Eco-Comunidade, realizado no último dia 6 de dezembro, na Praça da Rua Nova Esperança, na comunidade do Sítio Conceiçãozinha, no Guarujá (SP).
Com o tema “Cultivar, aprender e praticar a arte de ser natureza”, o festival contou com oficinas, apresentações culturais, rodas de conversa, gastronomia local, feira de economia criativa e teve a presença de diversos projetos socioambientais que se uniram para promover um dia inesquecível para todos que participaram.
Parte da rede de parceiros foi articulada pelo Instituto Supereco, que ao lado do projeto Tecendo as Águas: serra, terra e mar – realizado em parceria com a Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, uniu projetos como Baleia Jubarte; OBME e Instituto Nova Maré. Também estiveram presentes a ADESAF; Instituto GREMAR; Operação Enrede; e Mangue Vivo – liderado pela Associação dos Pescadores do Sítio Conceiçãozinha.
O evento foi uma iniciativa do Programa de Educação Ambiental do Projeto Eco-comunidade (PEA), liderado pelo Centro Comunitário Conceiçãozinha, e teve o patrocínio da Autoridade Portuária de Santos (APS) e do Ministério de Portos e Aeroportos.
Priscila Pereira é a líder comunitária e gestora do Eco-comunidade. Segundo ela, o Festival foi o primeiro evento realizado na nova praça do bairro. Até pouco tempo, o espaço era um área abandonada, mas com a luta dos moradores, liderada pelo Eco-comunidade, a prefeitura cedeu o terreno e todos se uniram para transformá-lo em uma praça, com paisagismo, parquinho infantil e espaço para eventos.
“Esse evento é um marco de encontro da comunidade, de sustentabilidade, cultura e valorização do território como potência, porque geralmente as pessoas olham pra cá e só veem vulnerabilidade, mas aqui também tem muitas potências, saberes importantes de serem compartilhados e valorizados. Além disso, a própria comunidade se valoriza quando vê seus trabalhos expostos e tudo o que ela é capaz de produzir”, explicou Priscila.
Andrée de Ridder, presidente do Supereco, falou sobre a importância de o Instituto ser uma inspiração para o festival. “O Supereco acredita muito nos talentos de uma comunidade. Muitas vezes estão invisíveis e aí quando conquistam um espaço, como essa praça, a gente precisa ocupar. E precisa ocupar com atividades que valorizem os saberes locais, atrativos culturais, artísticos – e não fazemos isso sozinhos. Há 31 anos somos grandes articuladores de redes e parceiros e fomos apoiando essa costura paraentender o que cada um podia trazer para este festival”, citou.
Em seguida, Andree avaliou que tantos projetos juntos, cada um com a sua missão, enriquecem o festival e mostram, na prática, que um território precisa ser visto e cuidado. “Há projetos que trabalham as causas ambientais, outros, as sociais, outros educação, lazer, esportes. É um grande guarda-chuva de possibilidades para que a comunidade tenha, de fato, um desenvolvimento integral. Cada um desses projetos têm seus próprioslevantamentos de problemas e desafios em suas determinadas áreas e é nesse envolvimento de tantos projetos que também surgem oportunidades para resolver esses problemas. Um pode complementar o outro”, analisa.
O Instituto Nova Maré, idealizador da Operação Enrede, também marcou presença. A diretora presidente, Yasmim Garcia, falou que a ideia foi apresentar a função das ecobarreiras e demonstrar, principalmente, como os resíduos descartados em área de mangue de Santos, por exemplo, podem impactar o manguezal de Guarujá. “A gente quer que o Enrede seja uma estrutura replicável em outros lugares. As ecobarreiras são simples, baratas, fáceis de serem instaladas e de fazer a manutenção.
Elas estão implementadas no Jardim São Manoel, em Santos, e aqui, no Sítio Conceiçãozinha, há uma realidade semelhante. Então por que não trazer esse projeto pra cá para inspirar a comunidade?”, pontuou Yasmim.
Valton Bezerra é presidente da Associação dos Pescadores do Sítio Conceiçãozinha e o criador do projeto Mangue Vivo, que atua com campanhas bimestrais de limpeza no manguezal do entorno da comunidade guarujaense. Ele contou que as ações começaram porque os pescadores viam muito lixo quando saiam para pescar. O cenário também começou a impactar na qualidade e quantidade dos pescados, influenciando diretamente as atividades dos pescadores. “Pra nós é importante apresentar o projeto Mangue Vivo para todos. Pra que as pessoas que moram aqui entendam o impacto dos resíduos que são jogados em lugares errados. Uma sacola que tá no mangue, se pegar no motor do barco, causa um prejuízo enorme pra nós. Então a gente tenta conscientizar e, de alguma forma, amenizar esse problema. Participar desses eventos traz visibilidade também e isso pode nos ajudar em algum momento, porque estamos sempre precisando de ajuda e voluntários”, explicou.
O evento teve ainda uma rede de apoiadores, como a TEG/TAEG, Cutrale, Prefeitura do Guarujá, Espaço Urbano, Crisálida Social e Instituto Elos.
Baleia Jubarte em tamanho real

O projeto Baleia Jubarte, que existe desde 1988 e é patrocinado pela Petrobras desde 1996, levou uma réplica da espécie, em tamanho real, para o Festival Eco-Comunidade. A Jubarte inflável fez muito sucesso com a criançada – e com os adultos também.
A réplica tem 14 metros de comprimento e permite que os visitantes entrem nela para conhecerem uma baleia por dentro, como funcionam os órgãos e como tudo funciona no organismo de uma espécie tão grande assim. “Uma coisa é a gente explicar para uma criança que uma baleia tem de 14 a 16 metros. Outra coisa é trazer uma réplica em tamanho real. Elas ficam encantadas e é assim que a gente sensibiliza, que a gente atrai a atenção de fato. Elas aprendem mais”, citou Isabelle Avolio, educadora ambiental do projeto.
Além das ações dos projetos presentes, o dia foi de muita diversão, com brinquedos gratuitos para uso das crianças da comunidade, lanches, picolés, e até banho de espuma.
O evento foi das 10h às 17h45 e reuniu dezenas de pessoas.