Mais de 1 tonelada de resíduos é retirada de manguezal em ação que fortalece o trabalho em rede no Jardim São Manoel, em Santos
29/04/2026Da educação ambiental, à retirada de resíduos e a economia circular, protagonismo do território promove ação colaborativa para a transformação socioambiental.

A força de uma comunidade articulada em rede, unindo temas ambientais com sociais, foi o grande destaque do mutirão de limpeza realizado no dia 25 de abril, no manguezal do Jardim São Manoel, em Santos. A ação reuniu comunitários, organizações sociais e socioambientais, empresas, empreendedores e poder público, resultando na retirada de mais de 1,1 tonelada de resíduos de um trecho do manguezal (1.167 kg).
O grande volume de madeira, isopor, sacos plásticos e garrafas plásticas sendo retirado, e o manguezal ficando mais visível, sensibilizou e mobilizou os participantes para permanecerem ativos durante toda a ação!
Mais do que uma ação pontual, o que foi vivido neste mutirão evidencia a lógica do projeto “Tecendo as Águas: serra, terra e mar” – iniciativa do Instituto Supereco, desde 2013, em parceria com a Petrobras por meio do programa Petrobras Socioambiental e com outros parceiros que têm se unido num mesmo propósito: construir soluções socioambientais participativas nos territórios onde há áreas naturais ricas em biodiversidade, como os manguezais, estuários, praias e Oceano e necessárias para o bem viver das comunidades em grande vulnerabilidade social. A proposta é articular as diferentes pessoas e instituições que já fazem a diferença no lugar, formando uma rede viva de cooperação!
Realizado na Praça Euzébio Rocha, conhecida como “Pracinha do Mangue”, o mutirão mobilizou dezenas de voluntários e teve protagonismo de lideranças e moradores do território, reforçando o papel essencial da comunidade na transformação socioambiental local. A ação contou com a participação de organizações que já atuam no território do São Manoel, fortalecendo este trabalho conjunto, como Horta Bons Frutos, Projeto Óleo Noel, Instituto Nova Maré, ONG Sem Fronteira, Associação Repaz, PCRA São Manoel, Associação de Moradores do São Manoel, Paradas, Terra Santos Ambiental e Prefeitura de Santos.
Além da limpeza, o mutirão teve forte componente educativo, com destaque para a participação das crianças do projeto Raízes do Amanhã, do Instituto Plataforma Brasil. Foram realizadas atividades de educação ambiental e ecojogos feitos de upcycling e economia criativa, além de um circuito interativo onde as crianças puderam conhecer e refletir sobre os diferentes tipos de resíduos retirados do manguezal, estimulando o aprendizado prático, o senso crítico e o cuidado com o meio ambiente desde cedo.

Para Andrée de Ridder Vieira, presidente do Instituto Supereco, o impacto vai além dos números:
“Este território é rico em pessoas, cultura e iniciativas de sucesso. O que vimos aqui é a potência de um trabalho em rede, com representantes comunitários, organizações e diferentes setores atuando juntos. É essa construção coletiva que transforma realidades. Ninguém faz nada sozinho. É na colaboração que conseguimos regenerar ambientes e fortalecer comunidades, também “dar voz” à biodiversidade. O São Manoel mostra que, quando a atuação em rede se articula, a transformação acontece.”
Outro destaque da ação foi a destinação ambientalmente adequada dos resíduos coletados, reforçando o compromisso da rede com a economia circular e a responsabilidade compartilhada:
- Tampinhas e pinos foram encaminhados para o projeto Paradas de Cubatão
- Garrafas, plásticos e isopores destinados à ONG Sem Fronteira
- Madeira e rejeitos não recicláveis enviados para a Terra Santos Ambiental
- Resíduos orgânicos direcionados para o Coletivo Composta e Cultiva
A iniciativa integra o núcleo “O Mar Não Está Pra Lixo” do Instituto Supereco e reforça a importância de soluções estruturadas, que combinam mobilização comunitária, educação ambiental, economia circular e responsabilidade conjunta nas soluções e políticas públicas da gestão dos resíduos.
A ação também dialoga diretamente com agendas globais de sustentabilidade, como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO, ao promover a conservação dos ecossistemas costeiros por meio do engajamento social. Está alinhada aos princípios da Carta da Terra, especialmente no que se refere ao cuidado com a comunidade da vida, à integridade ecológica e à justiça social.
Além disso, contribui para o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com destaque para o ODS 11, cidades e comunidades sustentáveis; ODS 12, consumo e produção responsáveis; ODS 13, ação contra a mudança global do clima; ODS 14, vida na água; e ODS 17, parcerias e meios de implementação, reforçando que o trabalho em rede é essencial para enfrentar os desafios socioambientais contemporâneos.
Mais do que retirar resíduos, o mutirão reafirma que tecer redes de parceria é o caminho para a transformação sustentável dos territórios costeiros.